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1 de julho de 2015

Participante da Flip lança primeiro volume de sua autobiografia em quadrinhos

capa_arabe do futuro_miniatura_blogQuem ainda associa as histórias em quadrinhos a um tipo de literatura voltada exclusivamente para crianças precisa, definitivamente, rever esse conceito. Há tempos que HQ's, tirinhas e cartuns se desvincularam do universo infantil e adentraram em questões mais complexas, maduras e, por vezes, politizadas - ainda que, para isso, recorram ao humor.

"O árabe do futuro", obra de Riad Sattouf (foto acima) recentemente lançada no Brasil pela Editora Intrínseca, só vem a confirmar tal fato. O autor, ex-cartunista do jornal Charlie Hebdo, resolveu contar a história de sua vida através dos balões dos quadrinhos. O livro, previsto para chegar ao mercado em forma de trilogia, aborda, em seu primeiro volume, a infância do quadrinista.

A ideia de fazer uma autobiografia surgiu em 2011, quando Riad socorreu diversas famílias refugiadas da guerra civil na Síria. Em meio à operação de salvamento das vítimas, chegou à conclusão de que tudo aquilo, somado às lembranças de sua juventude, poderia dar uma boa história.

Riad nasceu na França, mas viveu algum tempo na Síria e na Líbia por conta da nacionalidade de seus pais. Por meio da HQ, narra toda sua infância no início da década de 80 e o tumultuado processo de adaptação pelo qual passou entre os países - a serenidade do socialismo francês de François Mitterrand em contraposição às efervescentes ditaduras síria e libanesa de Hafez al-Assad e Muamar Kadafi, respectivamente -, experimentando um violento choque cultural proporcionado pelos diferentes mundos em que transitou. Com isso, a história faz importantes reflexões sobre aspectos sociais, políticos e religiosos, mas, por ser contada através do olhar de uma criança, aborda os fatos de uma forma leve e descontraída.


"O árabe do futuro" foi vencedor do principal prêmio do Festival Internacional de Quadrinhos de Angoulême e vendeu quase 100 mil exemplares na França. O título é uma homenagem ao pai do autor que se utilizava da expressão para se referir àquilo em que acreditava que os árabes das futuras gerações deveriam se tornar: cidadãos mais estudiosos e menos supersticiosos.

Riad Sattouf virá ao Brasil para a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) e será um dos principais destaques do evento. O quadrinista participará de um debate no próximo sábado, dia 4, a partir das 15 horas. Quem não puder comparecer ao festival, terá a opção de acompanhá-lo pela internet clicando aqui.

Veja uma pequena demonstração com alguns trechos do primeiro volume de "O árabe do futuro":





Título: "O árabe do futuro - Uma juventude no Oriente Médio (1978 - 1984)"
Autor: Riad Sattouf
Editora: Intrínseca
Páginas: 160
Preço: R$ 39,90 | R$ 24,90 (digital)

20 de maio de 2015

E-book em homenagem ao Charlie Hebdo é disponibilizado gratuitamente na internet


"A mão livre - Humor depois de Charlie Hebdo", já se encontra disponível para download gratuito. Confira, abaixo, a sinopse da obra recém-lançada pela Companhia das Letras.

No dia 7 de janeiro, terroristas armados invadiram a redação do jornal Charlie Hebdo, em Paris, e assassinaram doze pessoas, entre elas os cartunistas Tignous, Cabu, Honoré, Charb e Wolinski. O massacre foi uma resposta às provocações religiosas publicadas no Charlie, um jornal satírico e corrosivo que fez sua história com um humor sem concessões.

Nos dias seguintes, dezenas de artistas brasileiros e do mundo inteiro se manifestaram na imprensa e nas redes sociais. O que se viu foi uma pluralidade de vozes e pontos de vista. Houve homenagens e indignação, mas também debates acalorados sobre humor e religião, intolerância e xenofobia.

"A mão livre" nasceu de uma tentativa de dar conta dessa diversidade de opiniões. Mais do que uma homenagem ao Charlie, a proposta foi que os autores discutissem os limites da liberdade de expressão. Eles puderam escolher entre uma ou duas páginas e ficaram livres para mandar histórias, charges ou ilustrações. O resultado é um rico panorama do quadrinho brasileiro e do caleidoscópio de opiniões, certezas e incertezas que o massacre do Charlie Hebdo provocou.