Qual é a morada da violência? Resposta rápida: dentro de nós. Potencialmente, todo ser vivo pode ser “violento”. A diferença é que, nos animais ditos racionais, ela não é apenas instintiva, mas pode ser intencional. Até mesmo apreciada, por alguns. Praticada com desenvoltura e habilidade.
O que se aproveita de autoajuda e afins? Claro, depende de quem lê. De qualquer forma, a melhor resposta que encontrei veio de um livro do gênero, o “Conversando com Deus” (vol. I), do americano Neale Donald Walsch. Algo como “a mensagem emitida é sempre clara, o problema é o receptor”.
Típico – mas interessante. Um chavão para dizer que o ensinamento está lá, mas nem todos captam. O autor comparou a voz de Deus com uma transmissão de rádio ininterrupta: as ondas estão em todas as partes; o que se precisa é de um receptor e de boa sintonia.
Somos todos receptores de mensagens, sintonizados em diversas faixas. Aliás, na própria vida, mudamos de sintonia ao sabor do vento. Desacreditamos no que acreditávamos, e passamos a crer no que duvidávamos. Até aí, nada de novo. Dinâmica do aprendizado.
Mas geralmente precisamos de uma figura de autoridade para aceitar um ensinamento. Um professor, alguém versado nas ciências, ou qualquer um que goze de certo prestígio (justificado ou não). Porém, o prestígio de escritores de autoajuda é um tanto controverso no meio literário. Para piorar, alguns desses autores são mesmo charlatões e pretensiosos.
Só que ensinamentos valiosos também podem vir de mestres pedantes, inusitados ou despreparados. Até mesmo de alguém de má fé. O portador da mensagem nem sempre é importante. Por isso, apesar de autoajuda não ser literatura, de boa parte de suas obras serem apanhados oportunistas de chavões, e de Neale Donald Walsch ser pretensioso, vale a pena saber um pouco mais sobre a série “Conversando com Deus”.
Tudo fala o tempo todo
O escritor contou que passava por diversos problemas pessoais. Em 1992, começou a redigir cartas para Deus, onde dava vazão à sua frustração. De repente, caiu do cavalo na estrada para Damasco: uma espécie de “força” o impelia a responder suas próprias perguntas, como se ouvisse alguém ditando dentro de sua cabeça: nada mais nada menos que Deus. Ele anotou toda a conversa. Com ela, editou um livro – um tremendo sucesso. Depois, mais dois livros. E depois mais outros tantos, da mesma estirpe.
Na época em que li, seus livros trouxeram respostas. Ansiava por elas. Acho que para boa parte dos milhões de pessoas que compraram, também.
Há de se convir que não esteja fácil hoje em dia dar grande abertura a ensinamentos deste tipo de fonte. Talvez pela popularização e exploração comercial excessivas. Gurus, como Rhonda Byrne com seu “O Segredo”, viraram multimilionários. Autores como Lair Ribeiro vendem milhões, ainda que não recebam acolhimento da crítica.
Mas o sucesso destas obras prova que as pessoas seguem ansiando por respostas. O que, aliás, não deixa de ser meio estranho. Afinal, não te parece que tantas pessoas cada vez mais agem como se tivessem todas as respostas que precisam? Quantas e quantas falam sobre tudo, sobre suas muitas certezas, e principalmente sobre elas mesmas... E quando (e se) te ouvem, o fazem apenas por educação, não é verdade? (Bem, triste para elas: não há como aprender coisa alguma assim).
Talvez o que esse grande público tão ensimesmado e cheio de certezas procure na autoajuda seja algumas respostas fáceis e soluções mágicas. Tudo o mais não chama a atenção.
Só que, se não houver curiosidade e interesse, não há como sintonizar outras faixas. Sem ouvir e ler com atenção, nada se recebe.
É aqui que tudo se liga: segundo Deus contou a Walsch, isso tudo é parte do plano. Apesar da balbúrdia e da cacofonia, as respostas Dele e seu amor estão sendo constantemente difundidos, por todos os meios, para que alcancem a todos. Basta estar atento. Deus também lhe disse que insistirá nisso, até que responda a todas as dúvidas.
Então, é preciso sintonizar. Prestar atenção a tudo o que ler ou ouvir. Ou sentir. Por mais suspeita que seja a fonte.
Hmmm, pode ser, Walsch. Difícil discordar que há muito ruído e que está cada vez mais complicado garimpar o que realmente importa, mas que, vez ou outra, topamos com jóias.
Resumindo, a voz do divino pode vir de qualquer lugar. Concordo também. Já a ouvi, senti e li em muitos lugares, inclusive em artigos de autores publicados aqui.
Mas não é só isso, como diriam alguns comerciais. O Todo Poderoso explicou para o americano, entre diversas outras coisas, o porquê da vida.
A vida experimenta o que o Todo só conhece
Algo assim: Deus, sendo tudo, não conhece (nem existe) nada fora de si. Tem todo o conhecimento. Mas não pode experimentar tudo o que conhece, por sua própria condição de infinitude. Ou seja, sabe o que é a incerteza, o medo e a ameaça – mas jamais poderia experimentá-los de forma pessoal sem desdizer-se.
Ao infinito, não existe falta, tempo ou oposição. Então, criou a vida com um propósito: ser uma fonte de incontáveis experiências, e com uma condição básica: ela sempre chega ao fim.
No livro, Walsch fala de uma centelha de luz dentro do sol. Na claridade ofuscante, não há nenhuma experiência que não a de luz. Assim era nossa condição antes da vida: unos com o Todo, indivisíveis.
Pela ânsia da experiência de finitude, e de todos os contrastes, o Todo deixou trilhões de fagulhas suas inundarem o cosmos e se manifestarem em vida, em seus diversos aspectos. Como centelhas de luz a brilhar na escuridão, para entenderem o que são sombras, trevas, ausência, incerteza, e o que é fenecer, longe da fonte inesgotável. Tudo faz parte de um plano inefável, com retorno garantido ao Todo.
Toda vida já surgida ou porvir, por mais insignificante que seja ou pareça, traça sua experiência – sempre única, inédita e irrepetível –, e retorna à fonte.
Segundo revelado no livro, a vida seria a intenção de um deus inexperiente, buscando as experiências em trilhões de pequenas centelhas suas espelhadas e espalhadas pelo cosmos, que florescem, e depois, inexoravelmente, morrem, e ao Todo retornam. Mas tanto carregam a Divindade em si que conseguem imitá-La e criar, inclusive a própria vida.
O bem e o mal são relativos (filosofica/historicamente, são mesmo). A morte iguala tudo, e é o ponto final de todas as experiências – durem elas segundos ou séculos. A dinâmica e o surgimento da vida, ramificação em espécies, extinção, evolução e tudo o mais, são meros autoajustes. A vida cumpre sua função desde que surgiu, e prosseguirá cumprindo. Este é o plano.
Nem é tão original. Algo nesta linha vai ao encontro de ensinamentos de grandes mestres. Buda: “Nascemos para morrer, o Eu é ilusão”; Lao Tse: “Porquanto tudo o que existe é um incessante vir e voltar, um nascer e um morrer, que volta ao imperecível”; e Jesus: “Sei de onde vim e para onde vou”.
Aí está.
Interessantes "revelações" vindas de livrinhos de autoajuda hoje baratos. Teoria simpática, plausível e ressonante. Deus é e está literalmente em nós (algo endossado por mais um mestre: Campbell), e somos todos um. A vida e tudo o que ela cria são um apanhado de experiências, que podem superar até um poder infinito, que não pode cria-las da mesma forma. Porque o valor delas está justamente na impermanência, na finitude e na incerteza.
E, a quem puder questionar, tudo depende da disposição em aprender. Com a correta sintonia, erguendo as antenas e captando os sinais, o conhecimento e algo mais chegam em ondas.
Esse seria o clamor e o propósito da vida.
Experimente.
* * *
Alberto Nannini é graduado em Letras, especialista em Linguística, e colaborador do blog.
O escritor cubano Leonardo Padura, premiado por seu best-seller O homem que amava os cachorros (2013, Boitempo), promete repetir o mesmo sucesso com Hereges, romance histórico-policial sobre a saga do povo judeu, que vai de 1939 até os dias de hoje.
Leia um trecho:
*
Desde o momento em que abriu os olhos – mesmo antes de conseguir reencontrar
sua desconjuntada consciência, ainda embebida em rum barato –, tendo passado
a noite na casa de Tamara – que era, como já quase não podia deixar de ser, a
mulher que dormia ao seu lado –, Mario Conde recebeu como uma estocada
sibilina a insidiosa sensação de derrota que o acompanhava havia muito tempo.
Para que se levantar? O que podia fazer do seu dia?, voltou a lhe perguntar a
persistente sensação. E Conde não soube o que responder. Agoniado por aquela
incapacidade de dar alguma resposta, saiu da cama tomando o maior cuidado
para não perturbar o plácido sono da mulher, de cuja boca entreaberta escapavam
um fio de saliva prateada e um ronco quase musical, talvez agudizado pela
própria secreção.
Já sentado à mesa da cozinha, depois de tomar uma xícara de café recém-coado
e acender o primeiro dos cigarros do dia, que tanto o ajudavam a recuperar sua
duvidosa condição de ente racional, o homem olhou pela porta o pátio onde
começavam a se instalar as primeiras luzes daquele que ameaçava ser outro calorento
dia de setembro. A ausência de expectativas se tornava tão agressiva que
decidiu, nesse instante, encará-la da melhor maneira que conhecia e da única
forma que podia: de frente e lutando.
Uma hora e meia mais tarde, com os poros transbordando de suor, aquele
mesmo Mario Conde percorria as ruas do Cerro anunciando em altos brados,
como um negociante medieval, o seu propósito desesperado:
– Compro livros velhos! Vamos, venham vender seus livros velhos!
Desde que deixara a polícia, quase vinte anos antes, e como tábua de salvação
entrara na delicadíssima – mas, à época, ainda lucrativa – atividade de compra
e venda de livros de segunda mão, Conde havia praticado todas as modalidades
com que se podia fazer o negócio: desde o método primitivo do vociferante anúncio
de sua proposta comercial pelas ruas (que em certa época tanto ferira o seu
orgulho), até a procura específica de bibliotecas indicadas por algum informante
ou ex-cliente, passando por bater nas portas das casas em Vedado e Miramar que,
por algum indício imperceptível para outros (um jardim descuidado, algumas
janelas com o vidro quebrado), podiam sugerir-lhe a existência de livros e, sobretudo,
a necessidade de vendê-los. Para sua sorte, quando conheceu, tempos
depois, Yoyi Pombo, um rapaz com incontrolável instinto mercantil, e começou
a trabalhar com ele apenas na busca de bibliografias selecionadas para as quais
Yoyi sempre tinha os compradores certos, Conde começou a viver uma fase de
prosperidade econômica que durou vários anos e que lhe permitiu dedicar-se,
até com certo desregramento, às atividades que mais lhe agradavam na vida: ler
bons livros e comer, beber, ouvir música e filosofar (falar merda, para ser claro)
com seus mais velhos e encarniçados amigos.
Mas sua atividade comercial não era um poço sem fundo. Desde que topara,
três ou quatro anos antes, com a fabulosa biblioteca da família Montes de Oca –
protegida e trancada durante cinquenta anos pelo zelo dos irmãos Dionisio e
Amalia Ferrero –, nunca mais encontrou um filão tão prodigioso; e cada pedido
feito pelos exigentes compradores de Yoyi implicava grandes esforços para ser
atendido. O terreno, cada vez mais exaurido, enchera-se de rachaduras, como
as terras submetidas a longas secas, e Conde começou a viver períodos em que
as baixas eram muito mais frequentes que as altas, obrigando-o a retomar com
mais frequência a modalidade pobretona e suarenta da compra nas ruas.
Outra hora e meia mais tarde, quando já tinha atravessado parte do Cerro
e levado seus gritos até o bairro vizinho de Palatino – sem obter qualquer
resultado –, o cansaço, a desídia e o brutal sol de setembro o obrigaram a fechar
as portas da loja e subir num ônibus que havia saído ninguém sabe de onde e que
milagrosamente parou diante dele e o levou até as imediações da casa de seu sócio.
Yoyi Pombo, ao contrário de Conde, era um empresário com visão e havia
diversificado suas atividades. Os livros raros e valiosos eram apenas um de seus
hobbies, afirmava, porque seus verdadeiros interesses estavam em coisas mais
produtivas: a compra e venda de casas, carros, joias e objetos valiosos. Aquele
jovem engenheiro que jamais havia tocado num parafuso nem entrado numa obra
tinha descoberto fazia tempo, com uma clarividência sempre capaz de assombrar Conde, que o país onde viviam ficava muito longe do paraíso pintado pelos jornais
e discursos oficiais, e decidiu tirar vantagem da miséria, como sempre fazem
os mais capazes. Suas habilidades e sua inteligência lhe permitiram abrir várias
frentes – no limite da legalidade, mas não muito longe dele –, negócios em que
obtinha a renda que lhe permitia viver como um príncipe: desde comprar roupas
de grifee joias de ouro até ir de restaurante em restaurante, sempre acompanhado
de belas mulheres e circulando naquele Chevrolet Bel Air conversível 1957, o
carro considerado por todos os conhecedores como a máquina mais perfeita,
duradoura, elegante e confortável que já saiu de um fábrica norte-americana – e
pela qual o rapaz tinha pagado uma fortuna, pelo menos em termos cubanos.
Yoyi era, para todos os efeitos, um exemplar de catálogo do Homem Novo,
supurado pela realidade do meio ambiente: alheio à política, viciado na fruição
ostentatória da vida, portador de uma moral utilitarista.
– Porra, man, que cara de merda – disse o rapaz ao vê-lo chegar todo suado,
com aquele semblante qualificado com tanta precisão semântica e escatológica.
– Obrigado – limitou-se a dizer o recém-chegado.
E se deixou cair no sofá macio em que Yoyi, recém-saído do chuveiro depois
de passar duas horas numa academia de ginástica privada, aproveitava o tempo
assistindo em sua tevê de plasma de 52 polegadas um jogo de beisebol das grandes
ligas norte-americanas.
Como costumava acontecer, Yoyi o convidou para almoçar. A empregada
que cozinhava para o rapaz havia preparado nesse dia um bacalhau à biscainha,
arroz congrí, plátanos en tentación e uma salada de muitas verduras que Conde
devorou com fome e perfídia, ajudado por uma garrafa de Pesquera reserva que
Yoyi tirou do freezer onde conservava seus vinhos à temperatura exigida pela
umidade dos trópicos.
Enquanto tomavam café na varanda, Conde voltou a sentir uma pontada da
frustrante aflição que o perseguia.
– Não está dando mais, Yoyi. As pessoas não têm nem jornais velhos...
– Sempre aparece algo, man. Você não pode se desesperar – disse o outro
enquanto acariciava, como era seu costume, a enorme medalha de ouro com a
efígie de Nossa Senhora que, pendurada numa corrente grossa do mesmo metal,
caía sobre sua protuberância peitoral, como um tórax de pombo, à qual devia
seu apelido.
– E se não me desesperar, que merda vou fazer?
– Farejo no ambiente que vamos receber uma encomenda grande – disse
Yoyi, e até cheirou o ar quente de setembro –, e você vai se encher de pesos...
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Leonardo Padura Fuentes nasceu em Havana em 1955. Formado em Letras (Spanish Language and Literature) pela Universidade de Havana, trabalhou como escritor, jornalista e crítico literário até a década de 1990, quando ganhou reconhecimento internacional por uma série de romances policiais estrelando seu mais famoso personagem, o detetive Mario Conde. Mas foi com o romance O homem que amava os cachorros que Padura se consolidou no mundo literário, ganhando prestígio para além do gênero policial. Traduzida para vários países (como Espanha, Portugal, França e Alemanha), a obra recebeu diversos prêmios internacionais – Prix Initiales (França, 2011), Prix Roger Caillois (França, 2011), Premio de la Critica (Cuba, 2011), XXII Prix Carbet de la Caraïbe (2011) e V Premio Francesco Gelmi di Caporiacco (Itália, 2010). Em 2012, Padura recebeu o Premio Nacional de Literatura de Cuba. Os direitos de adaptação para o cinema de O homem que amava os cachorros foram recentemente adquiridos pela produtora francesa Compagnie des Phares et Balises.
Os fãs já podem comemorar. A famigerada Coleção Vaga-lume, ícone da literatura infanto-juvenil dos anos 80, traz de volta seus dez primeiros títulos apresentando um novo projeto gráfico. As capas foram reformuladas por Marcelo Martinez, uns dos mais respeitados designers editoriais brasileiros. Com uma tipografia mais atual, trazem montagens com as mesmas ilustrações dos livros originais, no intuito de não romperem o vínculo com os leitores saudosistas e, ao mesmo tempo, se adequarem a um novo público simpatizante da coleção.
A maior novidade ficou por conta do mascote Luminoso, que também volta com traços mais modernos, e a opção por um acabamento em verniz que faz com que todos os livros da série brilhem no escuro.
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E então, o que achou das novas capas? Dê sua opinião.
Frankenstein ou o Prometeu moderno, de Mary Shelley.
O arrepiante romance gótico de Mary Shelley foi concebido quando a autora tinha apenas dezoito anos. A história, que se tornaria a mais célebre ficção de horror, continua sendo uma incursão devastadora pelos limites da invenção humana. Obcecado pela criação da vida, Victor Frankenstein saqueia cemitérios em busca de materiais para construir um novo ser. Mas, quando ganha vida, a estranha criatura é rejeitada por Frankenstein e lança-se com afinco à destruição de seu criador. Este volume inclui todas as revisões feitas por Mary Shelley, uma introdução da autora e textos críticos de Percy B. Shelley e Ruy Castro. Há ainda um apêndice com textos de Lorde Byron e do dr. John Polidori. Tradução de Christian Schwartz | selo Penguin | 424 páginas | 2015.
O médico e o monstro, de Robert Louis Stevenson. Poucos clássicos da literatura são tão conhecidos e adorados como O médico e o monstro. Escrito quando o autor tinha trinta e cinco anos de idade, em 1885, o romance foi um sucesso imediato de público e inseriu Robert Louis Stevenson no grupo seleto dos grandes escritores da literatura universal. Ao narrar as experiências de um médico que, numa “noite maldita”, tomou uma poção fumegante de coloração avermelhada e descobriu “a dualidade absoluta e primordial do homem”, o autor escocês criou uma história de suspense e horror, em que o perigo iminente não está do lado de fora, mas do lado de dentro, na parte obscura da alma. Esta edição, além de uma introdução de Robert Mighall, Ph.D. em ficção gótica e ciência médico-legal vitoriana na Universidade de Wales, conta com um prefácio do escritor Luiz Alfredo Garcia-Roza, que define o romance como “um dos mais perfeitos e provavelmente o mais famoso romance de mistério da literatura de língua inglesa”. Tradução de Jorio Dauster | selo Penguin | 160 páginas | 2015.
Drácula, de Bram Stoker. As inúmeras adaptações cinematográficas e o lugar crucial do conde Drácula na cultura popular criaram uma mitologia em torno dessa figura, que costuma ser vista como um dândi sedutor em traje de gala e capa preta. A versão original do vampiro mais famoso da literatura surpreenderá até mesmo os admiradores mais fervorosos ao contar a história desse aristocrata sisudo e muitas vezes repulsivo. Quando um agente imobiliário ajuda um conde a comprar uma propriedade em Londres, não poderia imaginar o mal que estava levando ao Ocidente. Na partida de xadrez que se segue, entre esse nobre perturbador (que pouco aparece, mas é onipresente) e um determinado grupo de adversários (que inclui o professor Van Helsing e a inteligente Mina Harker), o que está em jogo vai além da luta entre a vida e a morte. Esta edição traz notas e introdução de Maurice Hindle, ph.D. em literatura pela Universidade de Essex, e prefácio de Christopher Frayling, reitor da Real Academia de Artes em Londres.Tradução de José Francisco Botelho | selo Penguin | 648 páginas | 2014.